À medida que 2017 se aproxima de
seu derradeiro fim, posso parar um pouco para refletir sobre tudo que vivi no
transcorrer de seus dias.
Posso afirmar, com toda segurança,
que 2017 foi um ano muito bom para mim. Chego ao seu final com vida, saúde, família,
amigos, trabalho e muitos sonhos por realizar. Isso é uma grande benção, sem
dúvida! Quantos não conseguiram chegar até aqui? Quantos perderam alguma coisa,
sua saúde, seu trabalho, seus sonhos durante sua travessia? Então, para todos que
conseguiram vencer seus desafios, é possível afirmar que 2017 foi um grande
ano!
Mas, ainda que tenha muito o que
agradecer por tudo que foi conquistado, como faço parte de um todo muito maior
chamado humanidade, não consigo comemorar de forma impune. Ao olhar para o
mundo à minha volta, é impossível não ver quantas guerras assolaram nosso
pequeno planeta neste ano. É impossível não ver o drama dos refugiados; a fome que
ainda atormenta parte considerável da população da terra; a violência, na
maioria das vezes, gratuita e desnecessária; a corrupção que rouba a dignidade
do nosso povo; o preconceito; a discriminação; a exploração e tantos outros
males que persistiram com tanta intensidade em nossas sociedades!
Então, a pergunta que me faço é
como me sentir plenamente feliz, em meio a todos esses acontecimentos que
atingiram tantas pessoas, tantos irmãos em humanidade? Como encerrar 2017,
apenas comemorando o que conquistei, quando tantos têm tão pouco ou nada o que
comemorar?
Ao refletir sobre tudo isso, concluo
que 2017 foi um ano verdadeiramente desafiador, pois colocou em xeque muitas de
nossas crenças e certezas, obrigando-nos a ver o quanto ainda precisamos
evoluir enquanto humanidade. E, não por acaso, lembrei-me de um poema lido
ainda na minha adolescência, que agora transcrevo aqui:
Nenhum
homem é uma ilha isolada; cada homem é uma partícula do continente, uma parte
da terra; se um torrão é arrastado para o mar, a Europa fica diminuída, como se
fosse um promontório, como se fosse o solar dos teus amigos ou o teu próprio; a
morte de qualquer homem me diminui, porque sou parte do gênero humano. E por
isso não perguntes por quem os sinos dobram; eles dobram por ti. (Meditações VII, de John Donne)
Que os sinos de 2018
dobrem por nossa combalida humanidade, permitindo-nos restabelecê-la em toda sua
plenitude. Feliz ano novo a todos!
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